Enredo

junho 11, 2015

Vai, compra teu ingresso
Dá tempo ainda desta peça
Assistir sem muita pressa
O que acontece no final

Vai, com teus próprios olhos
Ver a bondade do bandido
E o mocinho que faz mal
Vai ver quem é o tal!

Deste palco itinerante
Eu já fui amor, amante
Eu mesmo, bom e mal

E amanhã sou recomeço
Talvez no meio deste enredo
Talvez melhor do que mereço
Eu já fui o meu final.

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Dona

novembro 8, 2013

Me explica Dona

Tantas semanas

Tantos dias vividos

Mostra algo parecido

Sentir todo dia tua falta

Te ter da manhã a noite

Sempre em minha pauta

Em cada garfada de comida

Tu está lá

Saborosa em minha vida

E sem ti pereço, e até parece

Que de mim escapa

Que uma peça falta

Aquele abraço

Um enroscar de braços

Um travar de pernas

Que a mim sossega

Que enfim me encaixa

Vida e Morte

novembro 8, 2013

A gente vive e morre
um pouquinho, a cada dia
A gente espera sorte
na esperança vazia
E quando vive
só pensa na morte
E quando pensa na morte
se esquece da vida.
De toda sorte
ela segue corrida
Ela vida, ela morte,
nunca na mesma dose,
Líquida.

Não posso mudar

novembro 8, 2013

Te amo, e isso eu não posso mudar
Vou mudar quem sabe o cabelo
Quem sabe chegar mais cedo
Talves de funghi eu venha a gostar
Mas eu te amo, e isso eu não posso mudar
Vou sorrir mais, me desculpar menos
Vou listar tudo o que temos
Todos os defeitos que somos
E ainda assim te amo, e isso eu não quero mudar

Minha vida

novembro 8, 2013

Minha vida

As vezes me escapa dos dedos, sai do ar,

Como num pensamento vago

Num viajar adolescente das coisas que não se faz,

De um passado pouco prudente,

De historias imprecisas e inconsequentes

Que não podem mais voltar.

Minha vida é minha criança,

Que também me escapa dos dedos,

Minha aposta egoísta de ser melhor

Sem ser eu mesmo.

Minha vida é meu amor,

A quem me derramo em dedicação,

A quem me orgulho sem saber do que ao certo,

A quem não espero mas quero

Também amor e gratidão,

Também sempre por perto.

Etéreo

novembro 5, 2013

Não espero

Versos da tua boca

Espero que estejas louca

Quando te encontrar espero

E eu só quero

Que tire toda tua roupa

E te dispa também do sério

E consuma em mim

Aquilo que de mais etério

Desejas antes da forca.

Novo

novembro 5, 2013

É tudo novo

E tudo velho se mistura

O gosto do que ainda vem

Com o amargo de toda costura

A primavera de tudo moço

Com a velhice e sua feiura

Mas tudo bem, tudo é bem-vindo

Tudo a seu tempo, tudo a contento

Tudo enfim está vivo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Reza

novembro 5, 2013

Dos restos que ainda resta

Desta memória punitiva

Das preces que ainda me presta

Rezo eu aqui ainda

Rezo a quem um bem me faça

A essa cosciência bandida

Rezo a quem me traga a graça

Das minhas risadas falidas

 

 

 

 

 

 

 

 

Míope

junho 28, 2013

É míope
A visão que deixa
Todo belo torto
Todo claro torpe
É raso
O que tão rápido conclui
E tão fácil desconstrói
Mesmo com tudo posto
Ainda prefere sempre
O amargo gosto
O peso do escuto
Ao do abraço, porto.

Hoje

fevereiro 14, 2013

Me dá mais um abraço hoje
Que amanhã pode ser diferente
Pode ser que amanhã a gente
Não tenha mesmo como tolerar
A diferença da nossa altura
Talvez nem toda cultura
Possa mesmo superar
Me dá mais um abraço hoje
Que é para não escapar
Toda a doce semelhança
Toda sintonia e toda dança
Que teima em nos aproximar