Caminho torto

dezembro 22, 2011

São tantas arestas

Neste tal mundo redondo

Que faz meu caminho reto

Ficar cada dia mais longo

E em cada desvio torto

Parecer todavia mais certo

De tudo o que eu quero e não posso

A cada tropeço mais perto.

Lembrança

março 31, 2011

Passou por mim
como um suspiro de verão.
E senti no peito, pleno de inverno,
Ainda bater no fundo, um coração.
Como uma brisa quente,
Que rapidamente aquece,
Uma fugaz primavera
Que logo desaparece.

Mr. Schmitt Barley Wine

novembro 5, 2010

Compondo confundo
E se confundo não me recomponho
Mas se no fundo componho
É poesia contudo

 

 

São Dois

outubro 18, 2010

Saudades demais,
Da minha pequena família
Do eu te amo para ser dito
Mas que ficou para depois.
Saudades demais,
Do meu coração,
Tão irriquieto e apaixonante,
Tão perto e tão distante,
E que não cabe mais no peito,
Afinal hoje são dois.

Bebel e Pedro

Calor, Crise e Picolés

fevereiro 5, 2010

Sequencia de picolés. É assim que deveria ser. Um por esquina, sol batendo no coco – e minha carranca protege mais que óculos escuros. Mas picolé tá caro, no máximo um de abacaxi ou de goiaba e pronto. É correr para o ventilador e tomar água gelada. Tempos de crise. Cerveja também tá caro e beber com desculpa do calor é cirrose hepática garantida antes do inverno.

Enfim, em tempos de crise tudo parece caro.

Loucura é sair de camisa social e gravata num calor desses. É um puta contraste. Como o contraste da crise: camisa e gravata com menos de dez reais no bolso. E tem ainda aquele, que, na negativa da esmola, me chame de playboy f.d.p. É mole? É mole mais cresce.

Sobre Mulheres

dezembro 28, 2009

Talvez sejam todas elas e ao mesmo tempo. E talvez poucas tenham sido, mas de fato, de alguma forma, foram, mexeram, mudaram, magoaram ou mesmo fizeram-me feliz por algum, muito ou pouco tempo. Enfim é o que se espera, ou o que eu esperava e todos os possíveis desdobramentos e consequências de cada atitude, acerto ou tropeço. Pode parecer um pouco vago, mas não tenho certezas e menos ainda verdades absolutas. Amanhã poderei pensar diferente. Que bom. Não sei se estou satisfeito com estas considerações, mas de alguma forma é bom pensar que tenho algumas coisas claras na minha vida, jamais definitivas, mas bem claras.

Claras quase todas, mas também morenas, de tons mais claros a negras. Todas com alguma beleza, salvo sempre enganos provenientes do álcool – este terrível ingrediente do convívio social e da confusão mental autorizada e incentivada, que de uma forma muito superficial nos nivela, num ritual primitivo e necessário, diante de nossa incapacidade milenar, ocidental, humana.

Personalidades fortes, todas por quem dediquei algum tipo de relação mais duradoura que duas semanas. Acho que atraio estes tipos e não posso dizer que tenho sucesso, simplesmente acontece. Talvez fruto da minha eterna irresponsabilidade, gosto por desafio ou até alguma resistência adquirida no convívio materno – Não é fácil ser filho da minha mãe, mas é muito bom.

Se existe algo de definitivo é que nunca conheceremos totalmente outra pessoa. Primeiro porque já é difícil conhecer a nós mesmos e parece que quando chegamos perto disso, mudamos! nos tornamos diferentes, trocamos os hábitos, comemos mais carne, menos carne, mais ou menos refrigerante e por aí vai. Segundo porque não teria graça. Sabe quando olha para alguém e se fica perguntando o que esta pessoa está pensando? Este poder eu não queria ter.

Vão ficar as histórias que eu puder lembrar, para a roda de amigos, para viver um pouco de cada delas, do melhor delas. A roda de amigos parece sacana, machista, e de certa forma é. Assim como toda tradição: um imenso livro de recortes de melhores momentos, pouco contextualizados com um fim afirmativo, positivo e alguma mentira, apesar da ciência de todo o resto, é uma enganação coletiva e, porque não, divertida.

Sigo, Contudo

agosto 25, 2009

Não vou mais vociferar.
Vou guardar minhas forças
Sem gastar em cólera,
Vou seguir a passo
Os caminhos retos,
Desmanchar as curvas,
Alcançar tudo perto,
Fazer mais o certo.
Vou beber mais depressa
O sabor com mais gás,
Deixar para trás
Porque eu já tenho pressa
E não mais me interessa
Se há guerra ou se há paz
Vou continuar com tudo,
Mesmo porque com tanto,
Ainda parece tão pouco.
E para tudo que é resto,
Passo a encarar cego
E sigo surdo cantando.

Todo sozinho

novembro 20, 2008

Cada passo à frente

É melancolia:

Todo caminho,

Tudo sozinho,

Pouco é que sigo

De tudo já começado,

De tanto já percorrido,

Pouco é que digo

Diante de tudo dito,

De tudo tão bem falado,

E de pouco hoje disponho,

Depois de tanto desgosto

E distante de tudo posto,

Vejo em cada laço rente

O corte que o fez aberto,

Latente a dor que distante

Faz quente a ferida

Que a mantém por perto.

Trem

novembro 7, 2008

Corre o trem,

Olha tu comigo,

Da mesma janela,

Pelo lado oposto

Olho com desgosto

Todo trilho percorrido,

Toda emenda

Que não junta e nem agüenta

Mais carga deste trem

E vai o trem

Não tem outra direção,

Se não outra estação,

Se não mais além

Neste caminho que não encurta

E nem aumenta

Nesta angústia que lamenta

A cada dia que não vem

Em cada espaço mais distante

Tão pouco é mais importante

Que a janela deste trem.

Onde tudo aos olhos passa

Todo cinza me convém

Toda cor já perde a graça

Nosso amor perdeu o trem.

Carlos Eduardo Avila
06-08-2008

Pai

janeiro 29, 2008

Pai de tudo,

Pai de todos.

Confusão da cabeça,

Destempero, descarrego, desassossego.

Desmente tudo, pai

E aparece pra contar

O que viram os teus olhos.

E se alguma dor
Te fez chorar

 

Pai de todos,

Pai de tudo.

Todas interrogações,

Tudo sem futuro,

Tudo sem cabeça.

Mente pai,

Só um pouco,

Pra eu pensar como seria

Diferente.

 

Pai de tudo,

Pai de todos.

Pai, tu sentes desta árvore

Bem ao certo qual teu fruto?

Quão estúpido é maior

Que um aborto ou um estupro?

Como é maior um abismo

Quando não se conhece o fim?

Como é abismo, pai

Tua distância para mim?

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